O Lugar da Diversidade

❤️ Do capítulo final do livro “Contos da Serpente e da Lua.”

Os fragmentos resgatados ao longo deste livro, e todos os seus retalhos, resquícios, ossadas, estilhaços, lascas ou restos, fazem parte de um xaile, cesto ou cântaro fractal, que teimam em ser reconstruídos, sempre de forma diferente, remembrados uma e outra vez. Este é o lugar da impermanência e não da verdade absoluta, da riqueza da profundidade e variedade de perspectivas, não ordenadas hierarquicamente, mas em rede de possibilidades em co-geração e diálogo. Este é o lugar da diversidade e das muitas vozes que contam versões diferentes da mesma história, compondo a verdade sempre caleidoscópica e híbrida. Aqui é o lugar para palavra viva em conexão orgânica e primal.

A quimera da verdade absoluta mundial, como hierarquicamente superior a todas as outras pode ser agora largada, libertada e deixada a decompor-se, compostando e nutrindo as variadas perspectivas subjectivas e emocionais locais, profundas e sempre ricamente interligadas com a complexidade dos contextos de espaço e tempo que as geram.

🌳 Estes vários livros são como vários territórios, lugares diferentes de resgate da polimorfa Imanência. 

Peregrinações caleidoscópicas em profundidade, às raízes da identidade moderna, em todos os seus preconceitos, intrínseca violência e absurdas limitações. Diferentes jornadas de amor pela poesia da complexidade, da diversidade e da metamorfose. Tecelagens de histórias vivas que nos recordam do que esquecemos, da sacralidade do chão e da Vida. Complementos ao vício da transcendência, em rigor e responsabilidade.