Como qualquer caminho pessoal este é um projecto orgânico que vai evoluindo e mudando.

Durante as minhas leituras encontrei um símbolo que se adequa completamente à raiz conceptual do projecto. É um desenho do paleolítico superior, pintado a negro numa taça, que representa duas serpentes enroladas sobre si próprias (Marija Gimbutas, The Language of the Goddess – Staraja Buda, Tomashivka e Sipenitsi, Ucrânia, Cultura Cucuteni, 3900-3700 a.c.).

É um pouco de arte mágica, que representa o principio feminino pela simbologia da serpente, a complementaridade dos contrários e a lua cheia.

A Serpente detém a sabedoria, mistério e sensualidade segundo a Astrologia Chinesa. Com a sua mudança de pele sazonal, ela representa a mudança e os ciclos femininos. As Serpentes dormem em covas no chão, chamando a si todo o conforto e ligação ao útero da mãe terra.

As duas serpentes a circular em sentidos opostos, criam movimento, tempo e dinâmica. Sugerem uma forma arcaica de representação da dualidade e contrários que se complementam: yin e yang.

No centro das duas Serpentes, vejo uma Lua Cheia. A representação de uma das fases lunares, neste caso no auge da sua luminosidade, quando há mais receptividade e exteriorização, complementa toda a simbologia presente neste desenho.

As minhas mãos tremiam quando escolhi replicar o desenho. Fi-lo com consciência e respeito. Optei por lhe dar cor, não por achar que a sua forma original imperfeita, mas para lhe transmitir algum do ki pessoal.

Sofia Batalha, a formadora

Colecção da Casa Simbólica 

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