TEMPO DE LEITURA – 4 MINUTOS

À Beira

{Grito-Oração}

À beira do colapso,

é como dar um passo e tropeçar numa cerca elétrica, vezes sem conta.

Escuridão total à volta, solo irregular e escorregadio.

Mudas de percurso em conformidade, mas vai acontecer outra vez.

Um grande solavanco.

Uma paragem brusca.

O coração a bater a mil.

A suar.

Tomas algum tempo a sintonizar-te com a tua bússola interior e a praticar a respiração.

De rápida e superficial para mais lenta e profunda.

Expira.

Timidamente, colocas um pé à frente do outro, fechando os olhos com força, como numa oração silenciosa para não seres atingida novamente.

BZZZZ.

Um tremor e um guincho involuntário.

Suor a escorrer.

O corpo exausto estremece, a mente solitária agita-se.

Ofegante como uma gota a atravessar uma nuvem de tempestade, a cair por entre os relâmpagos.

Ventos pulsantes enfurecem-se.

Pára.

Aqui mesmo.

Não te mexas, limita-te a ouvir o silêncio enquanto respiras.

Mantém a respiração.

🌳 Vários livros de diversos territórios, lugares de resgate da polimorfa Imanência. 

Peregrinações caleidoscópicas em profundidade, às raízes da identidade moderna, em todos os seus preconceitos, intrínseca violência e absurdas limitações. Diferentes jornadas de amor pela poesia da complexidade, da diversidade e da metamorfose. Tecelagens de histórias vivas que nos recordam do que esquecemos, da sacralidade do chão e da Vida. Complementos ao vício da transcendência, em rigor e responsabilidade.