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A interdependência como Corpo
{Grito-Oração}
A interdependência como corpo rebola e às vezes cheira mal.
Tem a arte de se por invisível e de nos fazer tropeçar.
Aparece inesperadamente em cantos e momentos.
Tem olhos opacos e muda de cor.
A interdependência tem memória funda, pois vive muitas vidas ao mesmo tempo.
Tem muitas vozes e a sua cabeça-coração está sempre a morrer e renascer.
A sua presença é tanto abraço como incómodo.
Também arranha e morde com dentes de pedra.
Por vezes deixa-nos a sangrar.
Parece que não tem espaço apesar de não ocupar espaço nenhum, de tão imensa e pequena que é.
Tem patas de tempo.
E assusta-se quando acha que está sozinha.

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