Sofia Batalha, a formadora

Coleção Casa Simbólica

Curso de Feng Shui

Bom senso e Feng Shui

A razão pela qual quero falar de bom senso e Feng Shui é porque há quem ligue esta prática a uma série de regras ou dogmas.  No entanto, acreditem em mim, o Feng Shui não tem nada de regras ou de dogmas. Aliás, e como em tudo, também no Feng Shui, o bom senso impera.

O Feng Shui resulta de um conjunto de observações empíricas e conhecimentos pragmáticos sistematizados no contexto da cosmologia chinesa.

 

Perdido na tradução

Como já tive a oportunidade de referir, o objectivo primário do Feng Shui era permitir a protecção e segurança das pessoas. Numa primeira instância, falamos de construir aldeias em zonas seguras de ventos e de cheias.

No século XX, aquando da tradução e adaptação do Feng Shui para o Ocidente, algo foi deixado de fora. Em muitos casos, trouxe-se a técnica, mas a visão empírica e pragmática ficou esquecida. Conclusão: perdeu-se o contexto.
Nesse sentido, quando dissociamos a prática do Feng Shui da observação real e concreta ficamos, salvo seja, “coxos”. O que quero dizer com isto é que ficamos muitas vezes à mercê de dogmas, sem entender a raiz natural e simples da prática

  • Por exemplo, há a crença de que porta da casa de banho deve estar sempre fechada. Ora, esta crença foi sistematizada numa altura em que a casa de banho era uma latrina. Obviamente, que ninguém quer comer ou dormir junto de uma latrina, seja por questões óbvias de higiene ou de cheiro, certo? Hoje em dia, as nossas casas de banho não são latrinas e, quando funcionam bem, são locais de higiene e de libertação. Assim sendo, não faz sentido ter a porta da casa de banho totalmente fechada.

 

Uma intervenção equilibrada

Tal como a harmonização da casa, também a sua limpeza e organização estão directamente dependentes da intervenção mais ou menos consciente dos habitantes. Quero com isto dizer, que cada habitante tem o seu próprio conjunto de crenças, assim como formas de usar/sentir o espaço privado. Na minha opinião, é aqui que o bom-senso e Feng Shui têm de trabalhar em conjunto. Isto, porque é importante conseguir um equilíbrio nas decisões e julgamentos. Afinal, o que funciona para um habitante da casa, não tem de funcionar para o outro.

O Feng Shui é activado pelo bom senso de quem o pratica

Nesse sentido, o equilíbrio cada casa depende dos seus habitantes. Logo, e como referi antes, o que faz sentido para mim, não tem de fazer para si. Felizmente e graças a este reconhecimento (e bom senso) é possível equilibrar os espaços, colocando as coisas no sítio, em função das necessidades de cada um.

 

Bom senso vs senso comum

Se por um lado, o bom senso trabalha a partir do equilíbrio interno; por outro, o senso comum reporta a um conjunto de ideias ou opiniões que são muitas vezes aceites pela maioria. Assim sendo, é preciso ter noção que o que a maioria aprova, nem sempre se enquadra na verdade de cada um.

Aliás, há coisa que a prática do Feng Shui me ensinou ao longo destes anos é que não existem casas normais; existem, sim, bom senso e respeito pelo equilíbrio individual de cada um.