Sofia Batalha

Colecção da Casa Simbólica 

Curso de Feng Shui

Uma das grandes preocupações quando alguém pede uma consulta de feng shui são as cores, do sofá, das paredes, dos tapetes ou do tecto, apenas para nomear alguns. Para que fiquem de acordo com os princípios do feng shui e a casa fique harmoniosa. Mas esta questão é mais complexa do que aparenta à primeira vista, pois não basta “aplicar as cores segundo o feng shui” para que a casa fique equilibrada. Se tudo fosse assim tão simples e a realidade tão simplista e linear viveríamos num mundo muito diferente.

Cor na metafísica chinesa

Segundo o ciclo das cinco transformações da metafísica chinesa e consequentes oito trigramas ou fases, a cada um destes momentos são atribuídas uma série de características, entre elas as cores.
Desta codificação milenar consta que energia do Este está ligada à vibração da cor verde, do Oeste às cores prateadas, do Sul ao vermelho e a do Norte ao preto, falando apenas dos quatro pontos cardeais principais. Esta conexão das cores aos pontos cardeais é apenas uma das muitas camadas de associações estabelecidas em cada uma das oito fases e não é de todo aleatória. E por isso cada uma das cores está ligada em relação à fase concreta onde se encontra, por exemplo, no Sul temos a cor vermelha, e este ponto cardeal representa o auge do verão, a expansão e a energia fogo. Que melhor cor associada a esta forte energia do que o vermelho, uma cor associada à força, ao poder, à energia, à determinação, paixão, desejo ou amor. Uma cor que eleva o metabolismo, que faz com que respiração fique mais rápida e aumenta a pressão arterial. É a cor que atrai mais atenção entre todas as outras. Faz por isso todo sentido da sua associação à energia do fogo do ponto cardeal do Sul.
Noutro exemplo temos cor associada ao ponto cardeal do Norte, o preto. O Norte relaciona-se nesta metafísica com energia do Inverno, da morte e nascimento, da escuridão e do inconsciente, com a transformação da energia da água. O preto representa para nós ausência de luz, representa a escuridão desta fase cíclica, está também naturalmente associada à morte e ao mistério.

Há quem use a cor de forma simplista, e demasiado literal, em termos de feng shui, dizendo que se uma divisão está a Sul ou na casa 9, deve ser pintada de vermelho ou ter elementos vermelhos. O mesmo para uma divisão a Norte ou no sector 1, que deve ter elementos pretos ou ser pintada de preto. Esta literalidade não tem em conta a importante especificidade e singularidade nem de cada casa nem de cada habitante.

O que é a afinal a cor?

De forma muito simples a cor é luz branca partida. Cada objecto tende a absorver o reflectir determinadas ondas de luz pelo que quando estamos a olhar para um cubo vermelho, a frequência de luz que está a ser reflectida é a vermelha, enquanto todos as outras são absorvidas.
A questão é que nós seres humanos para além de vermos cor também a sentimos. E estas sensações variam de pessoa para pessoa, umas cores induzem-nos serenidade enquanto outras nos trazem desconforto. Cada um de nós vive numa realidade diferente e as cores não são excepção, evocando emoções, pensamentos e reacções físicas diferentes em cada um de nós. Quero com isto dizer algo que todos sabemos, que a percepção da cor é subjectiva, mesmo apesar da vibração universal das cores primárias.
Desde a antiguidade que os egípcios e os chineses já usavam as cores com forma de cura através da cromoterapia, estando por isso bem cientes do poder da sua interacção energética e física com o ambiente e seus habitantes.

Feng simbólico e a cor

Na abordagem intuitiva simbólica as cores são tratadas como símbolos dos habitantes.
Tal como exemplificado acima, a zona 1 ou o Norte liga-se o preto, mas os habitantes não tem gostar de preto. Pode ser sentida como uma cor desconfortável ou pesada. Não faz por isso sentido sugerir nestas zonas da casa que usemos sempre cor preta pois ela pode não ser necessária e o seu uso depende também da relação de cada um dos habitantes com a cor em questão.
Não faz sentido vivermos numa casa que nos incomoda, onde, através de uma receita duma cultura geograficamente e temporalmente distante, se tenha lido que era melhor pintar determinada divisão de uma cor em particular.
Mas se eu não gosto dessa cor o que isso trará bom para minha casa? E para mim? E para quem viver comigo?
Numa abordagem simbólica devemos privilegiar a simbologia individual de cada um. Por isso quando me perguntam qual é melhor cor para determinada zona da casa não tenho uma resposta automática, pois não há receitas, nem dogmas. A resposta depende sempre de vários factores, não só a análise da estrutura da casa mas também o diagnóstico dos habitantes.
A melhor forma de descobrirmos as cores mais importantes ou significativas para cada um de nós é olharmos para as cores que tendemos a usar, seja na roupa seja na casa, para as cores que gostamos, que nos elevam, envolvem e alegram!

Quais as tuas cores preferidas?
Que cores tens tua casa?