Modelo

Existe esta ideia, completamente disseminada em termos culturais, que temos que pertencer aos modelos: alguém cria um modelo algures, que pelo contexto enformou toda a subtileza da sua criação, com determinadas regras e limitações. E, de repente, encontramos este modelo abstracto – retirado do seu contexto e colocado na caixa do universal – que nos faz algum sentido e então tentamos adaptar toda a nossa vida em função desse modelo, muitas vezes exilando ou mutilando o que não nele caiba.

Contudo, um modelo descontextualizado não é vivo e raramente é dinâmico, por isso, nunca vos peço para mutilarem a vossa vida ou exilarem partes da vossa experiência para pertencerem a algum “modelo”.

❤️ Aqui o resgate é re-descoberta da vossa própria linguagem de pertença e vínculo.

No fundo, o valor sagrado da própria vida em diálogo e relação, sendo muito mais importante do que qualquer modelo universalista.

Para tal precisamos de manter o espaço cheio de potencialidades e selvagem, mantendo a identidade em aberto, confiando no corpo, no pulsar do coração, na profundidade do olhar e na integridade da presença, em todas as nuances, subtilezas e ambiguidades que somos.