Falamos de imaginação viva

A que nos invade e fertiliza

A das ideias e intuições que nunca foram apenas nossas

Dos sonhos que sempre foram porosos e situados

Da que brota em cada semente

E debaixo de cada pedra

Falamos de imaginação ecológica

A sagrada imanência pulsante para além das palavras

Os sussurros das nuvens

As histórias da montanhas

As canções das árvores

Os gritos das profundezas

As fases da lua

As memórias do corpo

O chão que fala

A imaginação mítica que nunca foi apenas humana

Sempre contaminada

Emaranhada

Tecida em conjunto com o território e os seus múltiplos parentes

Com as suas fases e ritmos

A imaginação viva que segue os contos

Que escuta a matriz

Que se desdobra e vibra

A que respira

A imaginação viva que nunca foi nossa

Mas à qual pertencemos visceral e incondicionalmente

Simplesmente porque existimos

[ou sobre o arrogante e limitado antropocentrismo que nega o emaranhamento biológico e metabólico, iludindo-se de que a consciência é exclusivamente humana]

🌳 Estes vários livros são como vários territórios, lugares diferentes de resgate da polimorfa Imanência. 

Peregrinações caleidoscópicas em profundidade, às raízes da identidade moderna, em todos os seus preconceitos, intrínseca violência e absurdas limitações. Diferentes jornadas de amor pela poesia da complexidade, da diversidade e da metamorfose. Tecelagens de histórias vivas que nos recordam do que esquecemos, da sacralidade do chão e da Vida. Complementos ao vício da transcendência, em rigor e responsabilidade.