As coisas fundas que precisamos desaprender

As coisas fundas que precisamos desaprender precisam de tempo.

Porque é no contraste entre a tensão e urgência e a hibernação mamífera que se alquimizam.

As coisas fundas que nos desafiam precisam de espaço para poderem ser sentidas e respiradas.

As coisas fundas que precisamos desaprender doem e rasgam, confrontam e empurram-nos para a beira do abismo do não saber.

As coisas fundas que precisamos desaprender deixam-nos no limiar da ignorância, fragmentados e mais perdidos do que nunca.

Mas, levantar os pesados mantos e as peles finas e esgaçadas das coisas fundas que precisamos desaprender abre um espaço de afeto, onde possamos escutar o poder da Vida.

Porque as coisas fundas que precisamos desaprender não são para serem esquecidas, exiladas ou proibidas.

Mas para serem feroz e gentilmente compostadas. Deixadas a transformar.

Precisamos de tempo, paciência, carinho, digestão. Sem pressa, que a alquimia não se faz da noite para o dia. 

Porque as coisas fundas que precisamos desaprender não se resolvem, nem se concluem, não terminam ou desfazem com facilidade.

Fazem parte de um metabolismo vasto que nos engoliu há muito.

As coisas fundas que precisamos desaprender mexem nos fios da nossa psique, como se fôssemos nós próprios.

As coisas fundas que precisamos desaprender pedem que nos rendamos e que uivemos à Lua, que cantemos o nascer do sol, que abracemos as nuvens, que contemos as histórias das águas e das montanhas.

🌳 Estes vários livros são como vários territórios, lugares diferentes de resgate da polimorfa Imanência. 

Peregrinações caleidoscópicas em profundidade, às raízes da identidade moderna, em todos os seus preconceitos, intrínseca violência e absurdas limitações. Diferentes jornadas de amor pela poesia da complexidade, da diversidade e da metamorfose. Tecelagens de histórias vivas que nos recordam do que esquecemos, da sacralidade do chão e da Vida. Complementos ao vício da transcendência, em rigor e responsabilidade.