O olho do paradoxo

 

Aqui no fim do mundo
O amor e o desespero caminham de mãos dadas
O humor brilhante e as gargalhadas que fazem doer a barriga
acompanham as lágrimas grossas
O luto doloroso mantém o espaço aberto ao que emerge
A loucura e a sanidade sustém a imaginação
Enquanto os pesadelos distorcidos se tornam reais

Tensão e flexão

Parados em movimento profundo
Afundados no que queremos controlar
Perdidos em rápidos e insanos movimentos ilusórios

Hirtos, contidos e partidos

Perdemo-nos
Sem ar

Mas
Aqui no fim do mundo respiramos em conjunto
Ouvimos o bater do coração uns dos outros
Aqui no fim do mundo levantamos as peles, mas mantemos os mantos
Aninhamo-nos
Aqui no fim do mundo o monstruoso olho do paradoxo olha-nos de volta

Olha-nos de volta
Sentes o seu olhar?

{Este grito-oração foi escrito depois de ouvir TYSON YUNKAPORTA on Inviolable Lore /362 [for the wild podcast]. Recomendo vivamente que a ouçam também!}

🌳 Estes vários livros são como vários territórios, lugares diferentes de resgate da polimorfa Imanência. 

Peregrinações caleidoscópicas em profundidade, às raízes da identidade moderna, em todos os seus preconceitos, intrínseca violência e absurdas limitações. Diferentes jornadas de amor pela poesia da complexidade, da diversidade e da metamorfose. Tecelagens de histórias vivas que nos recordam do que esquecemos, da sacralidade do chão e da Vida. Complementos ao vício da transcendência, em rigor e responsabilidade.