
O Abraço do Teixo
Puxou-me o teixo
“Fica”
Debaixo da cúpula de folhas verdes
Escuta
Lá ao fundo
Entre todos os ruídos
Ouve o que vem de dentro
Tens de escolher escutar
Tens de escolher escrever com o eco
Tens de escolher
Apesar de nem teres a certeza que escutas
Inaudível, mas que se sente nas veias
Silencioso, mas que reverbera pelo corpo
Ténue
Imperceptível
Intraduzível
Eco de outros ciclos e de outras formas de ser
Fundas e sábias
Sabe o que carregas
Toca no peso denso
Arrepio
“Estou aqui,” diz
“Sei o que carregas”
“Grito até que me escutes”
“Mesmo que não entendas”
Mesmo que seja impossível traduzir
A língua do teixo é antiga
E não cabe no agora
Lingua de seiva e veneno
De água funda
Língua que conhece o luto e a perda
Língua que sabe que o tempo anda em círculos
O teixo fez-me sentar aqui
E aqui me sentei
Não desejava estar noutro lugar
Mesmo sem ter a certeza que escuto













