O Abraço do Teixo

Puxou-me o teixo

“Fica”

Debaixo da cúpula de folhas verdes

Escuta

Lá ao fundo

Entre todos os ruídos

Ouve o que vem de dentro

Tens de escolher escutar

Tens de escolher escrever com o eco

Tens de escolher

Apesar de nem teres a certeza que escutas

Inaudível, mas que se sente nas veias

Silencioso, mas que reverbera pelo corpo

Ténue

Imperceptível

Intraduzível

Eco de outros ciclos e de outras formas de ser

Fundas e sábias

Sabe o que carregas

Toca no peso denso

Arrepio

“Estou aqui,” diz

“Sei o que carregas”

“Grito até que me escutes”

“Mesmo que não entendas”

Mesmo que seja impossível traduzir

A língua do teixo é antiga

E não cabe no agora

Lingua de seiva e veneno

De água funda

Língua que conhece o luto e a perda

Língua que sabe que o tempo anda em círculos

O teixo fez-me sentar aqui

E aqui me sentei

Não desejava estar noutro lugar

Mesmo sem ter a certeza que escuto

🌳 Vários livros de diversos territórios, lugares de resgate da polimorfa Imanência. 

Peregrinações caleidoscópicas em profundidade, às raízes da identidade moderna, em todos os seus preconceitos, intrínseca violência e absurdas limitações. Diferentes jornadas de amor pela poesia da complexidade, da diversidade e da metamorfose. Tecelagens de histórias vivas que nos recordam do que esquecemos, da sacralidade do chão e da Vida. Complementos ao vício da transcendência, em rigor e responsabilidade.