
Dos Cestos e dos Cântaros
Aqui nos limiares
Trazemos as cestas cheias
tanto de filosofia como de poesia
tanto de emoção como saber dizer não.
Daqui dos entretantos os cântaros transbordam
tanto de psicologia como de mitologia
tanto de corpo e chão como de cabeça e coração.
Porque aqui as arcas foram abertas
E as tampas levantadas
as prateleiras estão tortas
e as portas há muito que deixaram de fechar.
Deste lugar de entremeio atravessa-nos o que não é nosso e nunca será
Pertencemos aqui porque não somos o centro
Somos húmus
Somos constelação
Aqui dos limiares também fiamos e laçamos a política e a história
Contos, ritos e cantos entremeados de ecologia, de lugar vibrante e vivo
Escrevemos com o território, as águas e os ventos
Enlaçamos sonhos com o vime, o barro e as árvores
Também passamos pela agulha os fios das muitas violências do mundo
Assim como as linhas dos afectos
Da raiva, do luto e do amor
Esta é a intrincada matriz das fronteiras
A que escuta as fissuras e as metamorfoses
{sobre a transdisciplinaridade do meu trabalho}













