Dos Cestos e dos Cântaros

Aqui nos limiares

Trazemos as cestas cheias

tanto de filosofia como de poesia

tanto de emoção como saber dizer não.

Daqui dos entretantos os cântaros transbordam

tanto de psicologia como de mitologia

tanto de corpo e chão como de cabeça e coração.

Porque aqui as arcas foram abertas

E as tampas levantadas

as prateleiras estão tortas

e as portas há muito que deixaram de fechar.

Deste lugar de entremeio atravessa-nos o que não é nosso e nunca será

Pertencemos aqui porque não somos o centro

Somos húmus

Somos constelação

Aqui dos limiares também fiamos e laçamos a política e a história

Contos, ritos e cantos entremeados de ecologia, de lugar vibrante e vivo

Escrevemos com o território, as águas e os ventos

Enlaçamos sonhos com o vime, o barro e as árvores

Também passamos pela agulha os fios das muitas violências do mundo

Assim como as linhas dos afectos

Da raiva, do luto e do amor

Esta é a intrincada matriz das fronteiras

A que escuta as fissuras e as metamorfoses

{sobre a transdisciplinaridade do meu trabalho}

🌳 Vários livros de diversos territórios, lugares de resgate da polimorfa Imanência. 

Peregrinações caleidoscópicas em profundidade, às raízes da identidade moderna, em todos os seus preconceitos, intrínseca violência e absurdas limitações. Diferentes jornadas de amor pela poesia da complexidade, da diversidade e da metamorfose. Tecelagens de histórias vivas que nos recordam do que esquecemos, da sacralidade do chão e da Vida. Complementos ao vício da transcendência, em rigor e responsabilidade.