O que tem em comum o feng shui e o dia dos mortos?
Como é que uma prática metafísica e filosófica ancestral chinesa se pode relacionar com tradições ocidentais de honrar os mortos e os antepassados?
À primeira vista nada, a não ser que decoremos a casa em função desta celebração anual…

No entanto ao conhecer a historia do feng shui sabemos que além de nascer da observação e experiência do exterior, a sua primeira aplicação foi exactamente em campas, o chamado feng shui yin.
A China tem uma enorme e antiga tradição de honrar os mortos e antepassados. Aliás acredita-se que os antepassados são a chave da sorte e bênçãos para os vivos.
Desde cerca de 1000 ac, que existem provas arqueológicas de enterros e campas meticulosamente estudadas e orientadas. Pois, segundo esta crença cultural chinesa, o bem estar dos mortos potencia a saúde e prosperidade dos vivos.
No dia 1 de Novembro, em Portugal, há o costume de visitar as campas de familiares, limpa-las, levar-lhes flores e até fazer um pic-nic nas imediações. No feng shui e consequentemente na cultura chinesa, não é apenas o tratar da campa postumamente que é importante, mas sim a sua localização, orientação e direcção. Os seus mortos são honrados diariamente com oferendas e rezas.
Na verdade os princípios aplicados nas campas, desde a forma como se encaixam na paisagem circundante e passando pela direcção cardeal para onde estão orientadas foram adaptados à prática posterior de feng shui yang, às casas dos vivos. O feng shui que usamos hoje em dia nas nossas casas tem a sua origem nesta prática ancestral.
Na China imperial o acto de profanar uma campa era muitas vezes um plano de enfraquecimento do inimigo, uma vez que o feng shui foi também aplicado como arte de guerra.

O feng shui original mais poderoso e secreto é sem dúvida o feng shui yin, a sua aplicação à última morada dos nossos antepassados. Ainda hoje é praticado na China, principalmente pelos poderosos.