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A Agulha de Osso — Tecelagem das Virgens Negras

O preço original era: 15,00 €.O preço atual é: 11,00 €.

Edição Limitada

Autografado pela autora

Edições Corpo-Lugar
ISBN: 9798903360956

Este livro não é um tratado de fé nem uma negação do sagrado. É uma escuta situada entre urtigas. A partir do território ibérico e europeu, convoca as Virgens Negras, Mouras e figuras escuras da paisagem como vestígios vivos de eco-mitos silenciados — presenças anteriores às doutrinas, sobreviventes às catequeses, portadoras de uma memória que insiste no corpo, na terra e no rito.

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Ao regressar a estas figuras, o ensaio confronta a genealogia da Europa consigo mesma: a construção histórica da brancura como norma, a negritude empurrada para o subterrâneo e as polarizações raciais, sociais e políticas que ainda estruturam o presente. Porque o colonialismo não terminou, esta escuta não procura inocência nem redenção, mas responsabilidade ao desenterrar fios, reconhecer continuidades e aprender a escutar onde antes se mandou calar.


"Não procuro confirmar dogmas nem negá-los, mas deslocar o eixo da escuta, entrecruzando investigação, oração e fabulação. Não pretendo falar de um lugar de especialização, mas de curiosidade."


A Agulha de Osso — Tecelagem das Virgens Negras é um ensaio eco-mitológico, crítico e situado que investiga a persistência das Virgens Negras no território ibérico enquanto arquivos vivos de memória ecológica, mestiçagem cultural e resistência simbólica. Cruzando eco-mitologia, ecopsicologia, estudos do folclore, história religiosa e crítica decolonial, proponho uma leitura das Virgens Negras não como variações iconográficas da devoção mariana, mas como continuidades subterrâneas de antigas cosmologias animistas, telúricas e relacionais. Progressivamente traduzidas, saneadas ou silenciadas pelos processos de cristianização, colonialismo e normalização da branquitude europeia. O livro situa estas figuras escuras como corpos-território — rios, pedras, grutas, lobos — onde mito, paisagem e história permanecem indissociáveis.

Entre fabulação eco-mítica, investigação-oração e reflexão crítica, o ensaio desenvolve a Virgem Negra como força insurgente que desestabiliza as ontologias hierárquicas da modernidade, questionando a pureza racial, a abstração transcendental e a separação entre humano e terra.

Através de contos, práticas de escuta e análises simbólicas, A Agulha de Osso propõe a tecelagem como metodologia epistémica: um gesto de reparação que urde memória, luto e responsabilidade relacional no húmus europeu.

Contribuindo para os debates nas humanidades ambientais, nos feminismos decoloniais, nos estudos críticos da branquitude e nas pedagogias da complexidade, este mini-livro oferece um convite revoltado a reaprender a escutar o escuro não como ausência, mas como ventre fértil de justiça, pertença e transformação colectiva.


Índice

  • As Linhas Vivas
  • Virgens Negras e Revolução
  • Aqui à Beira do Lume
  • Fabulação eco‑mítica da Virgem Negra em território ibérico
    • Notas de Escuta: Pontos Enlaçados na Fabulação Eco-Mítica
  • O Conto da Memória Negra do Chão
      Prática de invocação: Costurar com a terra 
  • O Conto que a Agulha Lembra
    • Grimm e Basile
    • A Dama do Pé-de-Cabra
    • Gaia, Ortiga e Mouras
    • Ortiga, Mouras e Virgens Negras
    • Conto de Fátima
    • A Criada de Dona Lopa
    • Marialva, Mouros e o Pé-de-Cabra
    • Conto da Ajudante de Dona Loba
    • ∞ Prática de escuta escura: Urdir o que arde 
  • O Conto das Deusas que são a Terra Sagrada
    ∞ Prática da raiz: Escutar a Terra Negra 
  • O Conto da Terra que fala por si mesma
    ∞ Prática ritual: Beber a Água Escura 
  • O Conto dos Animais Ungidos
      Prática ritual: O Chamamento dos Animais Ancestrais 
  • Virgens Negras de Portugal
  • A Costura Final

🌳 Vários livros de diversos territórios, lugares de resgate da polimorfa Imanência. 

Peregrinações caleidoscópicas em profundidade, às raízes da identidade moderna, em todos os seus preconceitos, intrínseca violência e absurdas limitações. Diferentes jornadas de amor pela poesia da complexidade, da diversidade e da metamorfose. Tecelagens de histórias vivas que nos recordam do que esquecemos, da sacralidade do chão e da Vida. Complementos ao vício da transcendência, em rigor e responsabilidade.