Feng Shui para o próximo ano

Antes de falarmos de tendências de Feng Shui para o próximo ano, importa entender que o Feng Shui é uma abordagem que procura o espaço e tempo ideais para a obtenção de harmonia, saúde e prosperidade na vida dos habitantes de uma casa.
Ou seja, esta arte milenar chinesa, extremamente popular no ocidente, não se baseia apenas na decoração das nossas casas e lares. A sua essência e raiz estão na análise do fluxo do Chi pelo espaço, assim como na observação dos ciclos naturais, através da mudança das estações ao longo de um ano solar e as alterações energéticas a cada mês lunar.

O tempo e o espaço no Feng Shui

Para o Feng Shui, o tempo e o espaço são dois conceitos interdependentes e complementares. O Chi ou Ki é a energia vital universal, que compõe tudo o que nos rodeia, desde a matéria mais sólida à menos densa. Flui pelo espaço e muda com os ciclos do tempo, adquirindo qualidades diferentes em contextos diversos: mais forte ou mais fraco, mais denso ou mais leve, mais rápido ou mais lento. Metaforicamente falando, o fluxo do Chi pelo espaço e pelo tempo pode comparar-se com a fluidez de um rio: mais profundo e escuro ou mais baixo e transparente, mais rápido e incontrolável ou mais lento e disperso.
As Wu, as ancestrais xamãs chinesas, eram as sacerdotisas dos ciclos temporais e espaciais. Chamavam a chuva dançando, observavam a lua, transformavam o seu ciclo em 28 mansões ou energias distintas, ainda usadas na actualidade, e optimizavam os templos e palácios com os seus rituais de cura e transformação.

O Bagua no Feng Shui

Nos dias de hoje, no contexto do Feng Shui Simbólico, cada divisão e objectos da casa são considerados metáforas e símbolos das ideias e crenças dos habitantes. Em termos espaciais, o Bagua, ou quadrado mágico, é o alfabeto de diagnóstico usado na abordagem simbólica e intuitiva, para determinar que partes da habitação ou escritório se relacionam com áreas específicas da vida. A colocação correcta desta ferramenta sobre a planta da casa, é o primeiro passo para avaliar e ajustar o ambiente, melhorando a qualidade de vida.No diagrama do Bagua existem oito áreas, ou “guas”, dispostas em volta de uma área central. Estas nove zonas diferentes correspondem a nove áreas principais da vida:

  1. O PERCURSO – energia de cura, liberdade, caminho;
  2. RELACIONAMENTOS – relações familiares, amor, mãe;
  3. ANTEPASSADOS – memórias, família, comunidade, passado;
  4. BENÇÃOS – viagens, dinheiro, prosperidade;
  5. CENTRO – união, equilíbrio, saúde;
  6. PESSOAS PRESTÁVEIS – finanças, solidariedade, justiça, pai;
  7. CRIATIVIDADE – crianças, futuro;
  8.  CONTEMPLAÇÃO – introspecção, auto-conhecimento, materialização;
  9.  ILUMINAÇÃO – socialização, reconhecimento.
    Para sobrepor o Bagua à planta da casa, alinha-se a base, onde estão os números 8, 1 e 6, com a porta de entrada usada pelos habitantes, que pode não ser a porta principal. O Bagua deve ser esticado de forma a envolver todos os cantos da casa, sem contar com espaços exteriores, como varandas ou terraços abertos. O Bagua pode também ser aplicado a cada divisão, sendo sempre colocado da mesma forma, a partir da porta ou zona de entrada.

Para perceber o tempo, em termos energéticos, usa-se o BaZi, os quatro pilares do destino, uma das formas da astrologia chinesa. Todos nós temos uma noção deste sistema através dos 12 animais do zodíaco chinês.

Os 12 animais do zodíaco chinês são o rato, o boi, o tigre, o coelho, o dragão, a serpente, o cavalo, a cabra, o macaco, o galo, o cão e o porco.

O melhor momento para curar

Pela sobreposição das qualidades energéticas do tempo e do espaço, a prática de Feng Shui é optimizada, curando zonas especificas do Bagua em alturas determinadas do ano solar. Através desta junção do espaço, pela da simbologia do Bagua, ao tempo, pelo ciclo anual, a energia de cada Gua fica mais ativa numa altura particular, sendo essa a melhor oportunidade para o transformar e curar.

Existem várias formas de trabalhar um sector. Primeiro deve ser escolhida a altura mais apropriada do ciclo anual para iniciar o processo no gua pretendido. É também importante clarificar a intenção de materialização ou cura em função da área do Bagua activa, por exemplo, trabalhando questões de mudança de vida em 1, de relacionamentos em 2, de saúde em 5 ou de reconhecimento em 9.
Pode começar por se limpar, arejar, iluminar e arrumar a divisão ou área correspondente. É importante que haja uma libertação da eventual acumulação e desarrumação. “Rearranjar”,  por assim dizer, a área activa pode ir deste pintar paredes a simplesmente mudar o local de uma fotografia. Também pode ser colocada simbologia adequada e evocativa no gua a trabalhar. O mais importante é (re)aprender a viver a divisão e usá-la!

Feng Shui para 2012

O ano do Dragão de Água, 2012, tem duas qualidades fundamentais: transformação e mudança. Será um ano de grandes alterações, desde as desejadas às forçadas, das planeadas às súbitas, das construtivas às destrutivas.
Os meses solares de Janeiro, Abril, Julho e Outubro são boas alturas para trabalhar a zona 5 do Bagua. Este sector corresponde ao centro da casa e de cada divisão. Influencia todas os outros guas da casa. Se aí residir o caos, todas as áreas da vida e da casa se ressentem, ficando mais fracas e difusas. É fundamental manter o centro livre e desimpedido. Se estiver cheio, não há espaço para coisas novas na vida. É uma boa área para trabalhar a unificação da família e a saúde física e emocional. O sector 5 deve ser reavaliado e ajustado várias vezes ao longo de um ano, pois é através desta zona que todas as outras são nutridas.

  • Janeiro, o mês do boi de metal, e Fevereiro, que corresponde à energia do tigre de água, são a melhor altura para optimizar o sector 8 da casa ou de cada divisão. Este gua, localizado no canto inferior esquerdo do Bagua, está relacionado com o eu e a auto-descoberta, a sabedoria interior e a materialização. É um bom local, nesta altura para sentir quais os desejos dos habitantes e para os materializar simbolicamente. É comum haver divisões neste sector que não são usadas, o que equivale a áreas da vida negligenciadas, nomeadamente no que respeita ao processo de auto-conhecimento.
  • Em Março, com o auge energético da Primavera e a energia do coelho de água, o gua a trabalhar é o 3, situado na área central esquerda do Bagua. Este sector relaciona-se com a família e o passado. Relembrar, abrir as arcas da memória e passar em revista o passado familiar, são actividades importantes a fazer nesta altura e sector. É muito comum esta zona estar cheia de tralha, mobílias herdadas, objectos antigos ou caixas cheias. O libertar emocional de objectos que não são usados é um óptimo exercício para libertar e curar o passado.
  • Em Abril, o mês do dragão de árvore, assim como no mês solar da serpente de árvore, correspondente a Maio, é uma óptima altura para olhar para o sector 4. Este gua, situado no canto superior esquerdo do Bagua, é leve como vento, onde a rigidez da mente é libertada e se recebe a abundância devida. É uma zona importante para trabalhar a simbologia pessoal de prosperidade e bênçãos. Quando a “boa sorte” é só para os outros, é tempo de tratar o sector 4, reconhecendo as fontes de abundância da vida.
  • Junho, o auge energético do Verão e mês do cavalo de fogo, é a altura do ano ideal para trabalhar a zona 9, situada no topo central do Bagua. É neste sector que as potencialidades dos habitantes são expressadas e reconhecidas, onde as emoções são expostas e exteriorizadas, vibrando e reverberando. É comum haver uma casa de banho neste sector, o que faz com que haja a sensação constante de falta de reconhecimento no trabalho ou na família.
  • Em Julho, o mês da cabra de fogo, e Agosto, o mês do macaco de terra, o gua mais activo é o 2, situado no canto superior direito do Bagua. É neste gua que se curam os relacionamentos e o amor.
    Sendo também a zona da Mãe, é tempo de recriar a relação com a mãe. É a melhor altura para sentir o princípio feminino, yin, saber quem somos como mulheres, ou com que tipo de mulheres nos relacionamos.
  • No mês de Setembro, auge energético do Outono e mês do galo de solo, é tempo de observar, sentir e mudar o gua 7 e as suas divisões e áreas correspondentes. A Casa 7 está intimamente relacionada com a energia do futuro. Esse fluxo do que ainda está para vir traduz-se em projectos por terminar, energia da segunda geração e criatividade. É onde se terminam os projectos e se cria tempo para a diversão, apreciando a vida como uma criança, despreocupada e fluidamente. Se existe a sensação de não se conseguir terminar projectos, é altura de trabalhar este sector.
  • Outubro e Novembro, mês do cão e porco de metal respectivamente, são o momento ideal para ler, interpretar e curar a zona 6, situada no canto inferior direito do Bagua. Este sector está relacionado com o lado mais yang e masculino dos habitantes da casa. É o gua da organização e clarificação de objectivos. Uma zona 6 optimizada traduz-se numa capacidade de decisão mais clara. É comum, quando esta área está em falha, a casa ser habitada apenas por mulheres, ou um local onde o pai passa muito pouco tempo.
  • O mês de Dezembro, auge do Inverno e relacionado com a energia do rato de água, é onde se lançam as sementes para o ano seguinte, curando o sector 1, situado em baixo e ao centro do Bagua. Este gua é onde se (re)cria o percurso de vida, confrontando medos e segredos. A Casa 1 representa a viagem interna, na qual se pode curar a vida. É preciso arranjar eventuais fugas de água que podem propiciar infiltrações ou bolor. Uma noite de inverno, em especial no solstício, é a melhor altura para mergulhar nas profundezas deste caminho individual onde se desenrola a vida, sentindo, transformando, recriando e vibrando com ele.

Ao trabalhar cada sector no seu tempo específico, potencia-se a mudança e a evolução da casa e da vida, o que torna toda a habitação numa potencial e poderosa ferramenta de auto-conhecimento.

Artigo escrito para a revista Flôr de Lótus em Dezembro de 2011.