Sofia Batalha, a formadora

Coleção Casa Simbólica

Curso de Feng Shui

Feng Shui em apartamentos e condomínios: Perguntas & respostas

Claro que o Feng Shui em apartamentos e condomínios é uma prática possível. Contudo, vamos por partes e aqui ficam algumas perguntas e respostas sobre tudo o que precisa de saber sobre Feng Shui em apartamentos.

1- O Feng Shui é algo espiritual? Afinal, o que é exatamente o Feng Shui?

O Feng Shui é uma antiga arte milenar chinesa que vem da observação directa da terra. Assim sendo, é uma filosofia muito experiencial e prática, usada desde a antiguidade. Por exemplo, pense nos povos da antiguidade e na forma como desenvolviam ferramentas de observação do contexto geográfico envolvente, de modo a encontrar o melhor local e a melhor altura para usufruir dele.

Nesse sentido, também o Feng Shui tem tudo a ver com a procura da melhor zona para prosperar. Logo, não tem nada de inatingível e, na verdade, é algo inato em cada um de nós. Todos vimos codificados com as ferramentas e sensibilidade necessárias para procurar o melhor lugar, onde nos sintamos seguros e completos, certo?

Codificado há cerca de cinco mil anos, O Feng Shui tem vindo a usufruir de muitas camadas de informação que assentam na cosmologia chinesa e no seu modo de ver o mundo. Obviamente que essa distância cultural e geográfica pode dar-nos a sensação de que o Feng Shui é algo distante, longínquo e que só alguns conseguem praticar. No entanto, o objectivo central do Feng Shui é simplesmente a avaliação e consequentes ajustes no nosso ambiente mais imediato. Por exemplo, hoje em dia passamos muito do nosso tempo dentro de casa, certo? Nesse sentido, esta abordagem adaptou-se ao interior, dando-nos ferramentas de harmonização da nossa casa.

 

2- Quais as vantagens práticas do Feng Shui no dia-a-dia?

Uma vez que o Feng Shui nos dá consciência à forma como vivemos e nos expressamos nos espaços, facilmente começamos a perceber a realidade de uma forma mais interligada. Ou seja: se por um lado o ambiente nos influencia: por outro, também nós influenciamos o que nos rodeia. Ao termos uma consciência desta profunda interligação passamos a ser responsáveis pela forma como vivemos as nossas casas, pois elas espelham as nossas vidas.

Se usarmos o Feng Shui como ferramenta de interpretação, a nossa casa torna-se num local activo e dinâmico. Um local onde podemos expressar, alinhar e concretizar as nossas intenções, ajudando a trazer essas materializações à vida. Da mesma forma, também percebermos melhor as nossas ansiedades e desafios, que se encontram expressados na casa e na vida.

 

3- No caso do Feng Shui em apartamentos e dos condomínios frequentado por muitas pessoas distintas, de que forma se pode tornar este espaço o mais harmonioso possível?

Um condomínio é um local de passagem, que dá acesso aos espaços privados dos vários condóminos. Logo, a prioridade nesta zona comum é a segurança, a limpeza e a fluidez – características que estão claramente interligadas.

Para ajudar na relação, muitas vezes desafiante, entre os vários condóminos tem de haver uma energia de segurança subjacente. Afinal, um condomínio onde os habitantes não se sentem seguros gera mais facilmente dificuldades para todos. Neste sentido, a segurança relaciona-se com:

  • A sensação que se tem quando se entra e circula no local
  • A prática das normas de segurança legais em vigor
  • Detalhes aparentemente sem significado, como a fraca iluminação, luzes que tremem, fechaduras e/ou dobradiças estragadas, maus cheiros, etc..
  • A limpeza e a boa manutenção, para que a energia circule de forma saudável e equilibrada.
  • A fluidez é outro factor fundamental, uma vez que os vários e variados habitantes de um condomínio devem conseguir passar, caminhar e chegar às suas casas. Neste sentido, devem haver obstáculos e as áreas de circulação comum devem servir como ponte entre a rua e o interior de cada casa.

Toda a construção emocional das nossas casas assenta na premissa ancestral de procura de segurança. Logo, um condomínio não é excepção. 

4- O que é que o Feng Shui para condomínios recomenda em termos de organização e de decoração?

O Feng Shui, na sua visão transversal e simbólica da realidade, ajuda-nos a tomar atenção aos “pequenos pormenores”, fazendo ajustes para que haja um maior bem estar e harmonia com quem tem de partilhar o espaço.

Assim sendo, Feng Shui não tem nada a ver com decorar, mas com “ler” o espaço e permitir que seja bem mantido.

Segundo a premissas descritas anteriormente é fundamental um óptima iluminação dentro do condomínio, de preferência de ligação automática com movimento. Do mesmo modo, tenha também em conta as regras legais de segurança que devem ser cumpridas. Assegure-se também que as portas não estão perras, as fechaduras em bom estado e não descuide da manutenção do edifício.

Quanto ao Feng Shui em condomínios e a sua decoração, evite demasiados itens, sobretudo decoração que possa comprometer a fluidez da passagem dos habitantes. E não se esqueça: arejar os espaço comuns é uma óptima forma de renovar a sua energia, até porque cheiros desagradáveis são um forte sinal de que algo não está bem.

Dicas para um bom Feng Shui em condomínios:

  • Ainda sobre o Feng Shui em condomínios, aqui fica a minha dica: plantas. As plantas são sempre um elemento activador e acolhedor, que podem ajudar na manutenção de um espaço comum equilibrado. Sinceramente, acho que ainda não temos uma consciência do poder verdadeiro que elas têm, que são seres sensíveis e sencientes, capazes de detectar campos de energia exponencial, transformando a energia do local onde se encontram e limpando-o. As plantas vivas são extremamente poderosas, resilientes e versáteis e, desde que haja luz e quem as cuide, serão uma óptima adição a qualquer espaço comum.
  • Outro pormenor muito importante é a manutenção das caixas do correio. As caixas do correio representam a primeira camada de individualidade de cada habitante. E não só devem estar em bom estado, como devem ser seguras para salvaguardar a privacidade de cada um. 

 

5- A forma como cada casa se organiza influencia os espaços comuns do condomínio?

Naturalmente que podemos pensar num condomínio como um agregador de vários espaço privados. Neste sentido, a qualidade estrutural e energética deste espaço agregador influencia todos os espaço individuais, do mesmo modo que todos os espaço privados e os seus habitantes também influenciam o condomínio.

Resumindo: tanto as partes como o todo se influenciam mutuamente.

Assim sendo, estas influências vêm de três fontes principais:

  1. Da qualidade base da estrutura de construção
  2. Da orientação em função dos pontos cardeais
  3. Da energia individual de cada condómino.

Por estas influencias serem multidimensionais é desafiador controla-las. Por esta razão, o melhor que o condomínio enquanto agregador de todas estas influencias, pode potenciar é o fluxo e renovação energética, permitindo que esta energia conjunta se renove e recrie, evitando problemas entre os habitantes. 

6- Como é que o Feng Shui em apartamentos pode  ajudar a melhorar a vida dos habitantes?

Falando no caso do Feng Shui nos apartamentos é preciso compreender que não há receitas, nem fórmulas perfeitas para todas as casas e habitantes. Seria a mesma coisa que perguntar a um arquitecto, qual é a casa mais indicada para todas as pessoas. Quero com isto dizer que não há cores mais indicadas, nem materiais, nem texturas. Para obtermos resposta teríamos de colocar outras questões, tais como: “para quê?”, “com que objectivo?”, “para quem?”, “em que contexto?” 

A matriz energética de cada um: 

Uma vez não existe uma forma universal de harmonizar espaços, as respostas do que é ideal depende de três factores:

  1. A estrutura do edifício
  2. Os habitantes da casa 
  3. A relação entre os morados

Em termos práticos todos temos uma matriz energética pessoal, que é composta pelas nossas experiências, educação, crenças, contexto social, cultural e geográfico e, claro, pelo facto de sermos todos inerentemente diferentes.
Esta matriz energética reage com a matriz energética do local onde habitamos. Assim sendo, pode completar-se, opor-se, ser alimentada ou ser drenada. Obviamente que segundo estes pressupostos é impossível que existam receitas, pois as soluções genéricas não funcionam de forma igual para toda a gente. Além disso, a forma como sentimos e como vivenciamos vai também mudando ao longo da nossa vida.

Não faz sentido colocar curas genéricas nas casas e esperar que funcionem de igual modo para todos os habitantes

EXEMPLOS:

  • Estudos de personalidade no contexto da psicologia ambiental sugerem que indivíduos diferentes sentados no mesmo sofá da casa experienciam mundos diferentes.
  • Num mesmo espaço, podem haver dois elementos da mesma família que tenham perdido o emprego. No entanto, a origem do seu problema pode ser completamente diferente. Se por um lado, o marido esperava ser promovido e foi despedido; por outro lado, a mulher pode ter sido despedida de um trabalho que detestava. Neste caso, enquanto que o marido terá de trabalhar as expectativas, a frustração e a decepção; a mulher pode potenciar a recém-recebida liberdade. 

Da mesma forma que cada um reage de fomra diferente a um medicamente, também cada habitante de um mesmo espaço físico tem a sua própria matriz pessoal, que interage de formas distintas com a envolvente e, claro, ao Feng Shui.

 

Sugestões de harmonização para a entrada e o quarto de dormir.

Pegando nos três factores acima listados, a estrutura do edifício, os habitantes e a relação entre ambos, temos algumas sugestões de harmonização para a entrada e o quarto de dormir.

ENTRADA

Enquanto espaço de transição, é a primeira camada do eu, um local de filtragem, de acolhimento, separação e de protecção.

A entrada de uma casa deve ser por camadas, barreiras sequenciais que resguardam a privacidade – o portão, jardim, passagem, corredor ou alpendre, até chegar à porta no exterior, assim como cabides, tapetes, consolas e sapateiras no interior. A entrada na casa deve servir como filtro.

Nesse sentido, deve ter espaço para libertar as camadas exteriores, tais como sapatos, casacos, chaves, correio ou malas, de forma a que não comprometam a passagem ao nível seguinte. Esta transição para o mundo interno dos moradores pode ter uma qualidade de libertação, limpar o que vem de fora e adaptá-lo ao interior. Obviamente que personalidades diferentes gostam de diferentes interpretações desta primeira experiência de acolhimento.

“Cheguei a casa”

A entrada pode criar um momento ritual de separação entre a actividade e exigências da vida exterior e o acolhimento do espaço privado. Idealmente deve criar um sentimento de quietude e calma,  um “Cheguei a casa”.

  • Ser bem iluminada
  • Ter espaço para despir as camadas externas tais como: mala, correio, chaves, sapatos, chapéus, chapéus de chuva ou casacos
  • Ser uma zona delimitada, para que não se confunda com o espaço de vivência interno
  • As cores ou formas aqui a colocar vão depender de outros factores tais como: ponto cardeal em que se encontra, características dos habitantes deste espaço.
  • Segurança: se a entrada da casa aparenta não ser segura, com objectos quase a cair ou escalas desproporcionadas, a resposta visceral é não se sentir bem-vindo, criando alguma intimidação.

 

QUARTO

Um espaço de refúgio, misterioso, privado, profundo, seguro, sensual, íntimo, sexual, inconsciente, do domínio da sombra e do universo interno, tranquilo e de descanso.

No caso do quarto, este retracta as profundezas de quem lá dorme, contando as suas histórias mais secretas. Dependendo do habitante, pode ser uma divisão fértil ou um santuário de solidão. Em todo o caso, deve canalizar sensações de segurança, familiaridade e aconchego. Obviamente que aqui, a cama é das peças mais importantes – nem que seja, porque nela passamos cerca de um terço da vida!

 

O que vemos da cama reflecte o que pretendemos da vida.

Quanto ao quarto, é importante ter em conta os seguintes aspectos:

  • Espelhos que reflictam quem dorme: Uma vez que os espelhos aceleram o chi, não deixam espaço para um sono profundo e reparador, podendo mesmo agravar condições de saúde frágil.
  • Acumulações debaixo da cama: Não só não deixam o chi fluir livremente, como podem bloquear a fluidez do sono. Um sono bloqueado pode traduzir-se em sonhos “sempre iguais” ou imagens que se repetem infinitamente todas as noites.
  • Camas de metal: O metal faz com que o chi acelere bastante, provocando um sono instável ou mesmo insónias. Dormir muitos anos numa cama de metal pode causar danos na saúde, devido à instabilidade constante do chi na durante o sono.
  • “Não gosto da minha cama!”: Dorme numa peça de mobiliário de que não gosta? Acha-a desconfortável e/ou feia? Mesmo que seja feita de “bons” materiais, se não gostar, não a mantenha.
  • Camas herdadas: Não só importa saber de onde veio a cama, como a sua história para evitar a repetição de padrões de vida.
  • Camas sem cabeceira: Ter uma boa cabeceira é extremamente importante para ter um sono reparador. Em termos de saúde, ajuda também a manter o equilíbrio e a nos sentirmos mais protegidos.
  • O que vemos quando estamos deitados? – Uma parede branca? Uma janela? Um armário desarrumado? Um quadro de que não gostamos? O que vemos da cama reflecte o que pretendemos da vida. Por isso, é importante ter algo em frente que seja inspirador, seja na hora de adormecer, seja na hora de acordar.

É preciso cuidado da análise e interpretação, para que se crie um método de intervenção no espaço e no tempo adequado a cada habitante. Só desta maneira conseguimos curar e transformar o chi individualmente, atendendo às necessidades de cada uma das pessoas que habitam a casa.

Para aprender mais sobre estes métodos, faça um curso de Feng Shui!