Sofia Batalha, a formadora

Colecção da Casa Simbólica 

Uma Casa Feliz

Curso de Feng Shui

Como se define intuição?

A intuição é um conhecimento não racional, um sentir espontâneo, uma percepção de padrões não óbvios ou lógicos num dado momento.

É um momento fugaz de uma sensação que traz informação. Outros termos definem a intuição, tais como a 3ª visão ou o 6º sentido.

Um dos desafios das práticas intuitivas é não justificar ou tentar validar a intuição pela mente ou pela razão. Reconhecer o seu valor intrínseco apesar da sua aparente volatilidade.

A intuição traz-nos a percepções diferentes da realidade num dado momento e espaço.

Há quem diga que a intuição representa a sabedoria interior, daí a sensação de conexão. Numa fracção de segundo sentimos uma conexão que nos permite aceder a informação de outra forma inacessível.
Todos acedemos à nossa intuição de forma diferente, pois ela manifesta-se através da linguagem simbólica individual de cada um.

A intuição é basicamente um processo de conexão que se manifesta através do corpo e dos sentidos. Pode descobrir-se estando no presente de uma forma plena.

 

E como se define Feng Shui intuitivo?

Há várias formas de praticar o Feng Shui. Esta arte milenar chinesa tem a sua origem na procura de segurança na paisagem, sendo praticada essencialmente no exterior.

Ao longo dos milénios a sua prática foi sendo refinada e começa também a ser aplicada no interior das casas.

O Feng Shui intuitivo é uma abordagem ocidental e contemporânea baseada nos princípios do feng shui praticado por monges budistas tibetanos, desde o século XII.

Nesta abordagem a casa é vista como uma estrutura viva, plena de energia e simbologia. Uma construção que encapsula determinadas características energéticas, uma espécie de personalidade, que servem de contexto a quem lá habita.

A intuição é sem dúvida uma ferramenta central na leitura e diagnóstico de um espaço, interpretando o seu conteúdo simbólico e contexto cardeal. Com este tipo de leitura conseguimos trazer à luz quais os desafios e potencialidades inerentes a cada divisão e a cada habitante.

De uma forma muito simples se se sente bloqueado em qualquer área da vida, olhe para o seu contexto, para a sua casa. Se quiser mudar a sua energia, mova um objeto na sua casa. Reorganize uma divisão e, em seguida, veja como se sente diferente.

Segundo a abordagem intuitiva a casa onde habitamos é uma materialização plena da nossa consciência, com todas as suas crenças, visões, barreiras, realidades e sombras. O que quer dizer que quando agimos na casa estamos a agir em nós, directamente no tecido da nossa realidade, transformando-o e curando-o.

Feng Shui é mesmo uma poderosa ferramenta de alquimia entre a casa e a vida.

 

De que forma a intuição é utilizada no Feng Shui? E de que forma o Feng Shui pode ajudar a melhorar a nossa intuição?

A intuição é a capacidade inata de criar de forma simples lares felizes e harmoniosos, sem necessidade de usar a lógica.

Podemos começar por tomar consciência dos nossos ambientes. A experiência e prática alimentam a intuição. Todos nós sabemos se nos sentimos bem ou mal num local, não é algo que nos tenha de ser explicado ou aprendido. Simplesmente sabemos, sentimos.

O Feng shui ao trazer de volta a consciência do contexto em que habitamos, traz-nos de volta a nós. Quanto mais presentes estivermos, mais alinhados e centrados ficamos. O que nos ajuda sempre a equilibrar a mente e a intuição.

O Feng Shui pode ajudar-nos a desenvolver as nossas habilidades intuitivas com base na nossa experiência de estar em lugares diferentes. Num novo lugar, tenha consciência de como se sente, das sensações, pensamentos e emoções. Tem vontade de sair ou ficar? Fica agitado ou sereno? Com esta prática ao longo do tempo vamos desenvolvendo a nossa intuição.

 

A intuição é o caminho para a felicidade?

A intuição representa sem dúvida uma parte fundamental de quem somos.

No início o re-ligar a intuição tem de ser um processo consciente. A mente racional e os seus processos mentais devem tornar-se relativos. Claro que é importante pensar e estruturar, mas deixar espaço para o sentir e intuir é essencial.

A nossa intuição é tão importante para os processos de decisão como a razão. Aliás um conjunto saudável de ambas em cada um de nós torna-nos mais equilibrados, conscientes e responsáveis. Mas também mais disponíveis.

Ao darmos valor aos nossos processos intuitivos tornamo-nos mais conectados e confiantes.

O início deste desafio é quase como pedir licença à nossa mente lógica para ouvir, validar, ver ou sentir estes bocados de sabedoria interna e conexão. A nossa mente lógica e racional deve entender, sem vergonha ou culpa, que é apenas uma parte de quem somos, não a totalidade. A mente lógica tende a abarcar e justificar tudo. Preto e branco, certo ou errado, bom ou mau, toda esta constante dicotomia entre a luz e sombra.

A intuição vai buscar o outro lado, dos vários cambiantes de cinzentos, as sensações, emoções e incertezas. É importante equilibrar estes dois processos mentais tão distintos, para que não estejamos só no processo intuitivo sem ligar à estrutura que a mente nos dá, ou completamente cristalizadas na mente racional sem validar a conexão orgânica e energética que a intuição representa. Cada um de nós terá o seu equilíbrio, algures na nossa vivência haverá o encontro destas duas frentes.

Sim, diria que a é urgente resgatarmos a nossa intuição para que caminhemos mais felizes na casa e na vida!

 

Artigo originalmente publicado na Revista Vogue nº 197 de Março 2019, página 229, pela jornalista Patricia Domingues
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