O Festival do Meio Outono, também conhecido como o Festival da Lua ou Festival Zhongqiu, é um festival popular das colheitas celebrado pelo povo chinês, coreano e vietnamita, há mais de 3.000 anos, para adorar a lua.

Este festival é celebrado ao décimo quinto dia do oitavo mês lunar do calendário chinês, durante a lua cheia, tem início a parte mais yin do ano, quando o escuro começa a prevalecer sobre a luz. Corresponde sensivelmente ao equinócio de outono. Nesta data especial as mulheres são convidadas a comemorar a lua cheia mais redonda e brilhante do ano. A lua, a água, as mulheres e a noite são o símbolos da energia yin.

Uma das versões simplificadas da lenda conta que a Deusa da Lua e Imortalidade, conhecida como Hengo ou Chang-o, engoliu a pílula da imortalidade dada ao seu marido, o arqueiro Hou Yi, fugindo de seguida para a lua para evitar sua ira. Hou Yi tornou-se mais tarde o Deus do Sol e agora os dois encontram-se apenas uma vez por ano durante esta lua cheia. Outras criaturas que vivem na Lua incluem um coelho de jade que trabalha no elixir da vida, um sapo de três pernas e uma árvore, que apesar de atacada por um lenhador, continua a renovar-se.

Tradicionalmente, para homenagear a Lua, as mulheres juntam-se e constroem um altar no exterior antes do anoitecer. No altar são colocados os tradicionais bolos da lua e romãs, melões, frutas redondas como a lua e arroz, vinho e chá. As romãs e melões representam as crianças, as maçãs e uvas a fertilidade e os pêssegos a vida longa. Decorando o espaço com lanternas, colocam também no seu altar, símbolos da Lua, como pérolas, moedas, conchas, espelhos ou água e leituras e poemas em sua honra.

Enquanto a lua nasce chamam-na com o corpo, usando os braços abertos acima das cabeças.
Quando os seus raios prateados iluminam a noite, recitam poemas e textos que trouxeram para honrá-la.

As mulheres sentam-se no pátio durante toda a noite, conversando, partilhando e festejando, bebendo chá e vinho. Algumas estudam os presságios da lua, outras compõem poemas realçando a sua beleza, outras falam sobre as suas experiências com a ela, partilhando histórias sobre a sua particular e especial conexão com este astro e reflectindo sobre a sua influencia nas suas vidas.

Uma tigela grande e azul é enchida com água e usada para apanhar o reflexo da lua. Beber esta água traz o poder da lua para os seus corpos.

Não se esqueçam de celebrar a lua!

Fontes:
Burkhardt, V.R. Credos e Costumes chineses, Hong Kong: South China Morning Post, 1982, pp 64-65.
Lei, Joan e Barbara Ward E, festivais chineses em Hong Kong, Hong Kong: A South China Morning Post, 1982, p 68.
Li-Chen, Tun, Festivais em Pequim, traduzido por Derk Bodde, Pequim: Henri Vetch 1936
Rufus, Anneli, O Livro das festividades mundiais, Harper San Francisco 1994

Sofia Batalha, a formadora

Coleção Casa Simbólica