Esta ancestral arte tem como objectivo estudar, observar e intervir no fluxo de chi, que é gerado pelas energias do céu e da terra. Uma das observações fundamentais do feng shui é a forma como este fluxo energético condiciona os locais, por isso há locais onde nos sentimos naturalmente confortáveis e em segurança e outros onde só queremos passar ou fugir.

Feng shui quer literalmente dizer vento e água, dois poderes fluidos da natureza, que mudam constamente a paisagem através da erosão. Hoje sabemos isso em termos mais científicos.

O Feng shui é uma arte milenar, há registos da utilização da sua base cosmológica desde há cinco mil anos. É mesmo possível ir até mais atrás, até oito mil anos atrás.

O Feng Shui nasce da observação do exterior. A adaptação desta arte ao interior das casas é relativamente recente, tendo à volta de uns 200 anos.

Na antiguidade todas as culturas procuravam os melhores locais para se instalarem, os melhores locais para construírem os seus templos, as suas casas, as suas campas. Todas as culturas têm uma forma de feng shui adaptado ao seu contexto cultural, geográfico e temporal, um conhecimento primordial de observação do mundo natural, de forma a procurar os locais mais seguros para viver e prosperar.

O feng shui é sem dúvida um conceito intercultural de tempo e de espaço.

Esta arte serve uma necessidade básica do ser humano, que é a procura de segurança. O feng shui propicia o encontro do melhor local.

Quais são as características dos melhores locais? São locais onde há protecção nas costas e uma boa vista. Simplificando, ter uma elevação ou montanha atrás e água na frente. Na prática, se observarmos, em termos urbanísticos, os mais ancestrais aglomerados humanos, estas agora enormes e prósperas cidades, têm todas algo em comum: elevações atrás e água pela frente. Esta característica é observada pelo mundo inteiro e independentemente dos pontos cardeais. Sejam elevações maiores ou menores, sejam rio, lago ou mar à frente. É uma condição vital e transcultural humana.

Em termos da cultura oriental, estas observações foram codificadas como o sistema ancestral do feng shui e com o final da dinastia imperial chinesa este conhecimento transbordou para fora das fronteiras chinesas.

adaptado de Colecção Casa Simbólica, Volume 1, Sofia Batalha