Feng Shui é sinónimo de casas arrumadíssimas, prontas para fotografar e aparecer na revista de decoração. Será?
Quem não é uma pessoa extremamente arrumada, das duas uma ou sente algum antagonismo com o feng shui e com todas as suas regras ou sente alguma sensação de “se eu fosse arrumado” tudo seria muito melhor na minha vida.
O Feng shui é uma disciplina que estuda o fluxo de energia vital pelo espaço e tempo, ou o sopro cósmico como alguns lhe chamam. Esta ferramenta não têm realmente nada a ver com decoração, ou sequer directamente com arrumação.

Da perspectiva do Feng Shui a realidade é vista como fluxos de energia, que se extremam ou se complementam. Tem a ver com categorizar a energia de determinado local atendendo a uma série de variáveis tais como: direcções cardeais, contexto exterior, escalas e luminosidade do interior e os habitantes. Apenas na última camada de uma análise de feng shui entram de facto os móveis e conteúdos presentes na casa.

O Feng Shui analisa tudo numa questão de escala, de proporção das coisas no seu contexto. Quer isto dizer que a mesma estante desarrumada tem um impacto diferente num espaço maior ou menor, mais ou menos iluminado e onde vivam mais ou menos pessoas.
As mesmas gavetas caóticas ou o mesmo armário cheio além de influenciarem cada habitante de forma diferente, ressoam e interagem de maneiras distintas consoante onde estão inseridos. Contextos diferentes emprestam-lhes importâncias diferentes.

Tendo em conta este princípio da escala, claro que uma casa completamente desarrumada e cheia de acumulações influencia negativamente os habitantes a vários níveis.
Mas o que dizer que uma casa tão arrumada, tão limpa, onde os habitantes não se sentem livres para a viver porque podem estar a “desarrumar”? Será bom feng shui? Para quem?
Ambos estes exemplos são extremos de um mesmo espectro.
O equilíbrio estará algures no centro, como a virtude segundo dizem. Numa casa onde haja espaço para circular, onde as funções de casa divisão estejam definidas, mas onde haja espaço para pequenos caos, alturas criativas e não de arrumação, momentos de exploração e descoberta e não de estrutura ou categorização. Onde se possa sujar e errar sem culpa, onde se possa viver em harmonia sem ter a roupa arrumada por cores. Não que ter a roupa arrumada por cores seja um problema, mas simplesmente não é necessário para ter um bom feng shui na casa.

Inscrições abertas para a segunda turma!

A primeira turma esgotou mas ainda pode ter o seu lugar!