É importante clarificar o âmbito da abordagem simbólica do feng shui. O simbólico em termos de cultura chinesa não existe, é uma abordagem de desenvolvimento pessoal.

A aplicação da intuição ao feng shui é uma adaptação cultural ocidental. Para os chineses, não existe intuição como ferramenta.

No Ocidente, a intuição é considerada como uma vertente de feng shui, o feng shui intuitivo, que é um método contemporâneo aberto, que não actua de forma simbólica.

A intuição é uma das quatro ferramentas-base do método simbólico, sendo que a simbologia é o método em si. Ler a casa e agir de forma simbólica no espaço e tempo é a génese do trabalho consciente na casa, na abordagem do feng shui simbólico.

A base de todo o feng shui, por mais técnico que aparente ser, é a intuição. Mas intuição e simbolismo não são de facto a mesma coisa. Pode trabalhar-se intuitivamente, mas não simbolicamente. Mas para trabalhar simbolicamente, a ferramenta da intuição é sempre necessária.

A intuição é a ferramenta ocidental, porque para um chinês a intuição não existe. Na China, feng shui é equiparado à ciência, matemática e técnica e, portanto, a intuição não tem lugar.

Mas a cultura ocidental é muito diferente e o feng shui usado aqui deve ser adaptado. Na China existe todo um contexto cultural, histórico e energético envolvente. Enquanto consultores, temos a enorme responsabilidade de beber deste conhecimento ancestral, destas verdades universais, adaptando-o cultural, social e experiencialmente.

Em práticas de feng shui clássico pode haver diferenças de 20 graus nas medições da luopan1. Porquê? Além da luopan ser uma ferramenta pessoal, cuja função é medir energia e não só a orientação ao norte magnético, a matriz energética de cada indivíduo pode gerar diferentes leituras, pois a linguagem simbólica é diferente e possivelmente comunica-se as mesmas conclusões de perspectivas diferentes. Isto é energia. Por mais que os chineses digam que é ciência, para mim é uma arte.

adaptado de Colecção Casa Simbólica, Volume 1, Sofia Batalha