Todas as abordagens intuitivas, incluindo a escola do chapéu negro, são abordagens ocidentalizadas. Quer isto dizer que já sofreram de uma maneira ou de outra uma adaptação à civilização ocidental. São abordagens que fazem uma síntese do conhecimento ancestral e milenar do feng shui e o adaptam e aplicam ao aqui e agora de uma forma sensorial e intuitiva. São abordagens que não são praticadas de forma nenhuma na China, pois para os chineses não faz qualquer tipo de sentido uma abordagem mais holística e emocional. O que não retira valor ao que fazemos e ao método intuitivo em concreto, pois é mais próximo de quem somos, enquanto povo, segundo a nossa história e geografia. É algo que nos traz uma maior amplitude de visão do que um método puramente técnico.

Claro que o método intuitivo não aborda só os habitantes, tem de se ter sempre em conta a estrutura onde eles se inserem. Uma observação lenta e a intuição são as ferramentas de análise.

Todos temos intuição, uns sentem-na, outros não, mas ela é como um músculo, quanto mais mais se pratica, mais forte fica. Na visão clássica e tradicional e na cultura chinesa, o feng shui é uma técnica e ciência. Não há espaço para a intuição nem para o autoconhecimento, não é essa a função da vertente mais clássica. Segundo a visão tradicional chinesa, é uma abordagem estritamente técnica, matemática e científica, que tem como objectivo equilibrar o chi vital ou energia de um espaço em concreto para que os habitantes possam viver melhor. As suas preocupações centrais são o poder, o dinheiro e por fim a saúde.

A visão do feng shui como ferramenta de desenvolvimento pessoal, que potencia a transformação evolução interior, é uma visão estritamente contemporânea e ocidental, onde o feng shui é uma arte e não uma ciência. Aqui as ferramentas passam a ser a intuição e as sensações.

adaptado de Colecção Casa Simbólica, Volume 1, Sofia Batalha