IMG_1647 (2)(Aluna da ENFS)
Arquitecta, mulher intuitiva. Dá agora os seus primeiros passos profissionais aliando a arquitectura ao seu saber intuitivo e milenar.

Nome: Marisa Isabel Mota
Nome do projecto: Espaços de MIM
Email: mim.espaco@gmail.com

O que te fez interessar por Feng Shui?

Bem, o Feng Shui apareceu na minha vida, numa altura em que paralelamente ao meu trabalho como arquitecta, dei início à prática pessoal de Yoga e fui desenvolvendo, em mim, uma nova forma de estar na vida. À medida que ia aprofundando a minha prática e estudando mais esta filosofia, fui olhando para o mundo de outra maneira e também para o meu trabalho, a Arquitectura.
Em 2011 fechei o meu gabinete de Arquitectura devido à actual conjuntura económica ou, simplesmente, porque o trabalho que desenvolvia como arquitecta deixou de fazer sentido para mim, toda a minha visão tinha mudado, assim como a minha responsabilidade pelos espaços que projectava.
De repente, comecei a fazer perguntas (uma data delas) entre as quais: Porque é que um projecto tão interessante do ponto de vista arquitectónico, estético e funcional, me parece tão vazio? Porque é que neste espaço, com todas as condições, eu não consigo trabalhar? Porque é que alguns edifícios parecem agredir tudo o que está à volta?….. E foi na busca destas respostas, na busca de algo que pudesse trazer de novo significado à minha actividade, que descobri o Feng Shui!

Como foste seguindo os passos da formação? O que te fez sentido e o que não?

Inicialmente comecei a ler alguns artigos sobre Feng Shui, principalmente na internet, e a ler alguns livros, em busca das tais respostas para as minhas enumeras perguntas. Devo confessar que à medida que lia todos os artigos/livros (muitos deles sem grande credibilidade) que pesquisava, comecei a achar que não era no Feng Shui que ia encontrar as respostas que procurava. Tudo me parecia muito supersticioso ou demasiado folclórico. Por outro lado, havia qualquer coisa que continuava a chamar a minha atenção para o Feng Shui. De repente o Feng Shui aparecia no meio de uma conversa, num artigo de uma revista ou simplesmente nos meus pensamentos. Assim, decidi inscrever-me no Curso de Feng Shui Complementar, da Escola Nacional de Feng Shui, na altura, a funcionar em parceria com o Instituto Macrobiótico de Portugal, e sem dúvida, a escola em Portugal com o melhor currículo e professores. Nada melhor que fazer um curso com quem sabe, para perceber se o Feng Shui era ou não aquilo que eu procurava. E foi então que se fez magia (sim, porque a vida é pura magia), desde a primeira aula do 1º ano, em Outubro de 2011, até à ultima aula do 3º ano, em Junho de 2014, o Feng Shui foi-me sendo mostrado, aos poucos, de fora para dentro, nas suas diversas abordagens e métodos, por vários professores (e mestres como a Sofia Batalha e o João Borges), que me ajudaram a ir respondendo às minhas perguntas, e claro, a ir tendo muitas mais. Eu não estava só a descobrir uma nova forma de fazer o meu trabalho como arquitecta, mas mais importante que tudo, eu estava a descobrir-me a mim, e a transformar toda a minha vida.
Falar do que me fez mais sentido durante o curso, é complicado e extenso, primeiro porque muitas coisas fizeram logo sentido, como o Feng Shui ser uma Arte, algo que não é estático nem objectivo, o seu lado simbólico/intuitivo e alguns cálculos clássicos de análise; e outras coisas só fizeram (e vão fazendo) sentido à medida que a minha própria maturidade e conhecimento vão evoluindo, à medida que se vai praticando e observando.
O que me fez menos sentido foi talvez a interpretação (pela visão social, clássica e patriarcal dos chineses) do resultado de análises, segundo alguns métodos Clássicos do Feng Shui.

De que forma mudou a tua vida?
O Feng Shui não mudou só a minha vida, ele “acordou” a minha vida!! Ao se estudar Feng Shui aprende-se a observar, sentir, cheirar, ouvir, “saborear” tudo o que nos rodeia – a estar atentos!
E quando começamos a estar assim, atentos, começamos a estar conscientes, começamos a “ver” o invisível! O Feng Shui ajudou-me a “ver” esse invisível da vida, a usar a minha intuição e sabedoria interiores, e quando isso acontece a nossa vida muda! Pessoal e interiormente, à medida que ia fazendo o curso de Feng Shui, em especial as aulas de Feng Shui Simbólico e Bazi, com a Sofia Batalha, ia tendo a necessidade de mergulhar mais fundo no meu próprio desenvolvimento interior, descobrindo-me mais um pouco, encontrando-me, muitas vezes recolhendo-me, mas sempre saindo mais fortalecida e inteira. Na prática e exteriormente, durante os últimos 3 anos fiz varias formações em áreas como, bio-arquitectura, baby-yoga, reiki, radiestesia paralelamente ao curso de Feng Shui. Iniciei o projecto (ainda bebé) da Espaços de MIM – Feng Shui e Arquitectura Holística, vendi a minha casa, e estou a iniciar uma nova fase da minha vida mais plena e completa.

Queres partilhar alguma história sobre a aplicação do Feng shui na tua vida? O que resultou, o que não resultou?

A partir do momento em que aprendi os primeiros conceitos e métodos de análise de Feng Shui, comecei logo a “testá-los” na minha casa/vida. Apliquei e aplico vários métodos na minha casa, desde o simbólico (Escola do Chapéu Preto), o contemporâneo (As Oito Direcções), ao Clássico (Xuan Kong Fei Sin e Xuan Kong da Gua), mas a história que gostaria de partilhar tem a ver com a abordagem simbólica e intuitiva da nossa casa. Talvez por ser o método mais presente no meu dia a dia, aquele que eu posso usar a qualquer altura, (e que me permite “falar” e perceber as mensagens que a minha casa me transmite), seja aquele que mais facilmente permite observar a sua actuação. Na minha antiga casa, o sector do Baguá Simbólico, que corresponde ao futuro e criatividade, ficava numa zona do meu quarto onde tinha o roupeiro, um cadeirão e uma cómoda. Houve uma altura em que eu tinha de fazer uma escolha, que iria (de certa forma) alterar o meu percurso profissional e pessoal, ou seja, o meu futuro. Durante algumas semanas eu não estava a conseguir tomar nenhuma decisão, tudo me parecia muito confuso e eu não sabia se quer o que queria. Durante algumas semanas, a zona do meu quarto que referi, encontrava-se numa perfeita barafunda. Parecia que era impossível manter ordem naquele espaço. Facilmente a roupa se acumulava, objectos que não eram dali, apareciam ali, coisas desapareciam – o caos. Durante essas semanas, eu não percebi o que a minha casa me queria dizer, tal era a minha dispersão e cansaço. Até que um dia, no meio de uma conversa sobre Feng Shui, tomei consciência da ligação daquela confusão física, no sector do futuro e da criatividade, com a minha própria confusão mental e incapacidade para tomar uma decisão. No fim-de-semana seguinte passei algumas horas a arrumar aquele caos do meu quarto. A limpar, deitar fora, organizar e ordenar aquele espaço. Na semana seguinte eu soube o que fazer, na semana seguinte eu sabia o que queria e a minha decisão estava tomada.

Queres deixar algumas palavras para quem se interesse por Feng Shui?

Os espaços são feitos de pessoas e acontecimentos, são o espelho das nossas vidas, estão cheios de energia e têm uma relação directa com o nosso bem-estar, as nossas acções e emoções.
O Feng Shui é a arte de transformar esses espaços, criando harmonia, saúde e prosperidade. Não é possível estudar Feng Shui sem se sentir crescer, sem ampliar a nossa visão, sem mergulhar num mundo de conhecimento imenso e fascinante. Não é possível passar por uma consulta de Feng Shui sem se sentir um acordar, um desvendar de algo que muitas vezes já se sentia, mas não se conseguia ver, um transformar de pequenos ou grandes acontecimentos ou um olhar de novo!!!!