Quando olhamos para a casa como símbolo ela torna-se numa extensão do corpo e da alma dos habitantes, ficando intrinsecamente ligada aos pensamentos e emoções de quem lá vive. Cada divisão e objectos são metáforas e símbolos das ideias e crenças de quem a habita. Neste contexto cada habitante ocupa um espaço emocional distinto num mesmo espaço físico, pois a forma como cada um de nós vive os espaços é ditada pela forma como vivemos a vida.

Com a casa podemos (re)criar um espaço íntimo, sagrado, harmonioso, seguro, inspirador e bonito. Sendo que na origem a palavra sagrado significa puro, inviolável e que cura. O espaço íntimo é o local de expressão pessoal, de manifestação do alfabeto interno e individual de quem lá vive. Todos os habitantes devem ter espaço e tempo para se exprimirem PLENAMENTE.
Para tal os habitantes podem expressar-se através de arte e simbologia para ligar o corpo ao espaço de uma forma vibrante. Sendo que as casas estão já povoadas da simbologia pessoal dos seus habitantes, quer haja essa consciência, ou não.
Ao trabalhar de forma consciente no espaço, devem ser escolhidos símbolos que ressoam com e que fazem sentido aos habitantes.
A prática de agir intencionalmente na casa é tão mais eficaz quanto a simbologia usada fizer real sentido. Um sentido completo, pleno e profundo. Um sentido que ressoe em uníssono com a vibração do momento.

Por outro lado todos os habitantes têm uma matriz energética pessoal.
Essa matriz é gerada pelas decisões e experiências, pela carta astrológica e pelo que escolhem alimentar o corpo físico.
Esta matriz energética reage com a matriz energética do local onde habitamos. Pode completar-se, opor-se, ser alimentada ou ser drenada.
A forma como sentimos, vivenciamos e reagimos ao chi exterior é diferente de pessoa para pessoa, mudando também ao longo da vida. Cada habitante de um mesmo espaço físico tem, portanto, a sua própria identidade energética, que interage de formas distintas com a envolvente.
Da mesma maneira que reagimos de formas diferentes ás mesmas circunstâncias, o mesmo acontecerá com as curas.
Não faz por isso sentido colocar curas genéricas nas casas e esperar que funcionem de igual modo para todos os habitantes.
É preciso cuidado da análise e interpretação do espaço, para que se crie um método de intervenção no espaço e no tempo adequado a cada habitante. Só desta maneira é possível curar e transformar o chi individualmente, atendendo às necessidades de cada uma das pessoas que habitam a casa.

OS 10 PASSOS
Estes são dez questões basilares para re-criar um espaço pleno e equilibrado. Não têm de ser praticados pela ordem apresentada.

~ PASSO 1~
– Saber o que NECESSITA –
Focalize-se numa dada área ou tema concreto.
Faça uma coisa de cada vez, não queira “tratar” de tudo ao mesmo tempo.
É importante estabelecer prioridades.

~ PASSO 2 ~
– Localizar as áreas a trabalhar –
São as áreas que estão mais directamente relacionadas com as questões-chave que quer resolver na sua vida.
Ou as divisões que mais necessitam de uma transformação.

~ PASSO 3 ~
– Criar espaço para o chi fluir –
Criar canais de fluxo, através dos quais o chi flua pela casa alimentando todas as divisões de igual forma.
Para conseguir esse fluxo é importante remover mobília ou objectos que estejam a mais e arranjar janelas ou portas que não abram.

~ PASSO 4 ~
– Limpar a desorganização –
Em muitos lares, o único grande problema é a desorganização.
Ela bloqueia o fluxo de chi pelo espaço, tornando-o pesado, letárgico e preso ao passado. A desordem torna muito difícil a limpeza.

~ PASSO 5 ~
– Repintar, reparar, renovar –
O feng shui reconhece que “pequenos problemas” podem ter um grande impacto na vida.
Uma casa bem conservada terá sempre um chi mais saudável e vigoroso, que uma habitação onde as tarefas de manutenção se acumulam.

~ PASSO 6 ~
– tornar a casa prática e funcional –
A transformação consciente energética e simbólica nunca deve bloquear o lado prático e funcional de uma habitação.

~ PASSO 7 ~
– Usar materiais naturais –
Sempre que possível substituir o conteúdo da casa por materiais o mais naturais possível. Cortinas de algodão, bambu, móveis de madeira, carpetes de lã, etc. O chi dos materiais naturais é muito mais saudável e completo que dos materiais sintéticos.

~ PASSO 8 ~
– Agir com intenção –
Agir com foco e intenção, no tempo e espaço adequados e usando símbolos pessoais é a parte do feng shui onde realmente começa a usar sua criatividade e a divertir-se!

~ PASSO 9 ~
– Trabalhar em si mesmo, bem como na sua casa –
Feng shui é algumas vezes chamado de “acupuntura para a casa” porque abre, ajusta e equilibra o fluxo de chi através de um espaço.
Se não cuidar de si própri@, tanto emocional como fisicamente, será mais difícil experimentar e apreciar os benefícios do feng shui.

~ PASSO 10 ~
– expressar-se plenamente na casa –
Viver o presente!
Sendo a casa onde habitamos uma materialização plena da nossa consciência, com todas as suas crenças, visões, barreiras, realidades e sombras, quando agimos na casa estamos a agir em nós, directamente no tecido da nossa realidade, transformando-o e curando-o.